quarta-feira, 19 de março de 2014

Cifrões virtuais

Em http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/141064_CIFROES+VIRTUAIS

Nº edição: 855 | Finanças | 07.MAR.14 - 20:30 | Atualizado em 19.03 - 06:04

Cifrões virtuais

Está aberto o caminho para a criação de empresas de pagamentos que não usam dinheiro, cheques e nem mesmo cartões. Alguém se candidata?

Por Cláudio GRADILONE

Perceber o potencial enorme dos pagamentos eletrônicos no Brasil é fácil. Requer apenas disposição para caminhar e quantidades razoáveis de suor. Realizada no fim de fevereiro, em pleno verão, a Feira do Empreendedor reuniu 82 mil candidatos a empresários em um pavilhão na zona norte da capital paulista. O evento, promovido pelo Sebrae de São Paulo, foi criado para facilitar a vida das empresas em sua busca por sócios, franqueados e clientes. Ao lado dos tradicionais vendedores de carrinhos de alimentação ou máquinas para personalizar chinelos, dois terços dos expositores ofereciam serviços digitais.

Metade desse grupo estava lá para divulgar algum sistema destinado a aposentar o dinheiro, os cheques e até os cartões de crédito e débito. Em sua maioria, eles vendiam sistemas de pagamentos associados a débitos bancários e à transferências via celular. O fim do dinheiro como o conhecemos está mais próximo do que nunca. A causa para todo esse interesse é uma nova regulamentação do Banco Central (BC), divulgada em novembro do ano passado, que definiu os limites de atuação dessas empresas. Com isso, companhias de todos os portes e origens observam um súbito florescer em seus negócios. 
 
“Vamos testemunhar uma mudança profunda na maneira como as pessoas pagam suas compras, e isso vai afetar o modo de as empresas fazerem negócios”, diz Marcelo Coelho, diretor-geral da Mercado Pago Brasil. Esses empreendimentos não guardam nenhuma semelhança com invenções desregulamentadas e arriscadas como os bitcoins. A nova estrutura jurídica, definida pelo BC após vários anos de discussão interna, elimina algumas áreas cinzentas nesses negócios. Uma delas era a possibilidade de que o dinheiro dos clientes se misturasse com o do empresário que intermedia as transferências. 
 
Quem está no mercado celebrou as mudanças, apesar de elas representarem um adicional de trabalho e de gastos com tecnologia e burocracia. Mais seguro, o sistema atrai novos participantes. “As mudanças garantem que o dinheiro dos compradores estará preservado se alguma empresa vier a ter problemas de caixa”, diz Coelho. A expansão já começou e deverá ganhar tração ao longo dos próximos meses. Facilitador de pagamentos controlado pela empresa argentina de tecnologia para comércio eletrônico Mercado Livre, o Mercado Pago comemora os números de 2013. 
 
No ano passado, em toda a América Latina (a empresa não divulga resultados específicos para o Brasil), 99,5 milhões de usuários negociaram US$ 2,5 bilhões, em transações médias de US$ 79. “Esse é, cada vez mais, um serviço de massa”, diz Coelho. Apenas no quarto trimestre as transações para a região atingiram US$ 746 milhões, um crescimento de 42,1% em relação ao mesmo período de 2012. O próximo passo, que deverá estar em vigor ainda no primeiro semestre, é a mudança da estrutura jurídica da empresa. Ela vai transformar-se em uma instituição de pagamentos, seguindo as novas regras do BC.

“Com isso, vamos ampliar nossas atividades”, diz o executivo. Coelho não é o único a celebrar os novos tempos. Mário Mello, principal executivo da PayPal no Brasil, comemora um crescimento de 20% nas transações em 2013. Também sem abrir os números para o País, ele informa que o total transacionado por aqui supera a casa do bilhão de reais, cifra movimentada por 7,8 milhões de compradores. No ano passado, a PayPal intermediou US$ 180 bilhões em negócios, avanço de 24% ante 2012, gerando um faturamento de US$ 6,6 bilhões. Mais relevante: as transações intermediadas por aparelhos móveis quase dobraram, para US$ 27 bilhões. 
 
“Hoje, a participação do comércio eletrônico nas vendas realizadas no Brasil é de apenas 3,5%, ao passo que nos Estados Unidos esse percentual é de 10%”, diz Mello. “Como o tempo das pessoas é cada vez mais escasso, há uma tendência natural de migração das compras presenciais para as virtuais.” O efeito positivo da nova regulamentação pôde ser sentido por companhias de todos os portes. O publicitário paulista Marcelo Sales sempre se interessou por tecnologia. Em parceria com o irmão engenheiro, ele montou uma empresa, chamada EasyPay. A ideia é aposentar os cartões de crédito e débito e as caras maquininhas usadas pelos comerciantes. 
 
Comprador e vendedor podem se acertar por meio da troca de imagens. O smartphone do vendedor gera um código QR, que é fotografado pelo smartphone do comprador, digita-se uma senha e o negócio está fechado. Sales atua em parceria com a processadora de transações Cielo, e seu foco está nos pequenos empresários, para quem pagar a mensalidade de uma maquininhanão compensa. “Começamos em janeiro e já temos 400 clientes”, diz ele. Seu porte não se compara ao de gigantes como... ( continua em http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/141064_CIFROES+VIRTUAIS )

Nenhum comentário: