terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Audiência discute gestão de escolas por Organizações Sociais

07/12/2015 11h40 
 
Por Marcello Dantas
 
 

Secretária Raquel Teixeira e professores Luiz Carlos de Freitas (Unicamp) e Wanderson Ferreira Alves (USP) devem participar do debate, na Assembleia Legislativa


A transferência da gestão das escolas estaduais para organizações sociais (OSs) será debatida em audiência pública na terça-feira (8), no Auditório Costa Lima, na Assembleia Legislativa de Goiás

"As OSs em Debate" é um encontro promovido pelo Fórum Estadual de Educação, com apoio do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego). O evento busca esclarecimentos sobre o projeto do governo de Goiás, que transfere para a iniciativa privada a gestão das escolas goianas e também as consequências para a Educação pública geradas pelo... ( continua em http://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/audiencia-discute-gestao-de-escolas-por-oss-53812/ )

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    http://periodicos.unesc.net/index.php/criaredu/article/view/1437


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

URBANISMO: As medidas do crescimento urbano

Desde 2003 uma equipe liderada pelo físico Geoffrey West, do Instituto Santa Fé, nos Estados Unidos, acumula evidências de que o desenvolvimento das cidades obedece a certas regularidades estatísticas. É uma espécie de física do crescimento urbano, regido por fórmulas matemáticas relativamente simples – as chamadas leis de escala ou potência – que permitem fazer previsões sobre as propriedades de uma cidade. As leis de escala tornam possível estimar com precisão razoável os valores que os indicadores socioeconômicos e de infraestrutura de uma cidade podem assumir, conhecendo-se apenas o seu número de habitantes. De modo geral, funcionam para cidades de diferentes tamanhos, de metrópoles a vilarejos, com as mais variadas histórias e culturas, na Europa, na Ásia e nas Américas.

As cidades brasileiras também obedecem a essas leis de escala, verificaram recentemente os físicos Haroldo Ribeiro, Luiz Alvez, Renio Mendes e Ervin Lenzi, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Paraná. Em um estudo publicado em setembro na revista PLoS One, eles confirmaram que é possível usar essas leis para enxergar tendências no desenvolvimento urbano do Brasil no espaço e no tempo. Com base nessas tendências, a equipe paranaense desenvolveu um modelo matemático simples e simulou a evolução de oito indicadores socioeconômicos – os índices de trabalho infantil,  desemprego, analfabetismo, homicídio, renda familiar, idosos, homens e mulheres – em 1.605 municípios brasileiros. "Ao colocar os resultados dessas previsões em mapas, conseguimos identificar as regiões do Brasil em que esses indicadores devem aumentar e aquelas em que devem diminuir quando forem medidos no censo nacional de 2020", diz Ribeiro (ver mapas).

Ribeiro ressalta que as leis de escala revelam tendências nos indicadores socioeconômicos que podem passar despercebidas ou serem distorcidas pela maneira convencional como especialistas em planejamento urbano avaliam esses indicadores. Relatórios e guias para políticas públicas costumam medir o desempenho de cidades com tamanhos diferentes ou a evolução de uma mesma cidade cuja população cresceu levando em conta os valores médios de indicadores socioeconômicos divididos pelo número de habitantes. Assim, tenta-se averiguar como as taxas de desemprego, analfabetismo ou homicídio evoluem de um lugar ou de um período para outro tomando-se por base os dados per capita. "A análise per capita, em princípio, elimina o efeito do tamanho da população e permite comparar cidades com populações de tamanho diferente", explica Ribeiro. "Quando não consegue eliminar esse efeito, porém, essa análise pode introduzir vieses nos indicadores."

A origem desses vieses é uma suposição que se faz a priori. Ao usar esses indicadores para comparar cidades com populações de tamanhos diferentes, os pesquisadores assumem implicitamente que o crescimento das cidades acontece sempre de maneira linear. Seguindo esse raciocínio, uma cidade de 2 milhões de habitantes seria apenas uma versão duas vezes maior de uma cidade com 1 milhão de habitantes. Assim, seria esperado, por exemplo, que a cidade maior tivesse em média duas vezes mais homicídios do que a menor. Mas essa regra nem sempre funciona.

052-055_Matemática e saúde_237Camundongos e elefantes
Cálculos feitos por Ribeiro e seus colegas indicam que, em 2010, uma cidade brasileira com 2 milhões de habitantes tenderia a apresentar mais de duas vezes mais assassinatos – precisamente, 2,44 vezes mais – do que uma cidade com a metade dessa população. Esse resultado indica que nem sempre os índices per capita eliminam completamente o efeito do tamanho da população e que as cidades grandes não são apenas versões ampliadas de cidades pequenas. Elas são qualitativamente distintas. E a maneira como elas diferem lembra o que ocorre com animais grandes e pequenos, como o elefante e o camundongo.

Nos anos 1930, o biólogo suíço Max Kleiber estudou a influência do tamanho dos mamíferos na fisiologia de seus corpos. Kleiber comparou o número de calorias que animais de diferentes espécies precisam consumir todos os dias para se manterem vivos. E verificou que, independentemente do tamanho, o metabolismo obedecia sempre uma lei matemática de escala. No caso dos mamíferos, a quantidade de energia necessária para viver aumentava seguindo uma lei de potência em que o expoente era o número 0,75. Isso significava que um animal com o dobro da massa de outro precisava consumir só 1,68 vez mais calorias, e não o dobro de energia.

O fato de esse expoente ser menor que 1 significa que um animal maior necessita proporcionalmente de menos energia que um menor. Por essa razão, um elefante precisa de 40 mil quilocalorias por dia para se manter vivo, enquanto um camundongo consome apenas 4 quilocalorias. A quantidade de energia que o elefante ingere é 10 mil vezes maior do que a que o camundongo consome, embora a massa total do primeiro seja 220 mil vezes maior que a do segundo. No final dos anos 1990, Geoffrey West e seu grupo descobriram que essa economia é decorrente da forma como a energia é distribuída pelo corpo: quanto maior o animal, mais eficientemente a energia chega aos diferentes pontos do seu corpo.

Em 2003, West e sua equipe verificaram que uma lei de escala idêntica determina o crescimento das cidades. Dados de cidades dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia mostravam que indicadores de infraestrutura urbana como o número de postos de gasolina, a malha viária e o comprimento total dos cabos da rede elétrica aumentam com o tamanho da população da cidade seguindo a lei de Kleiber. Quando a população de uma cidade dobra, a infraestrutura necessária para atendê-la não precisa ser duas vezes maior, mas apenas 1,68 vez – esse fator varia um pouco de país para país. "É como se a cidade grande otimizasse o uso de seus recursos", explica Ribeiro. Matemáticos e físicos chamam esse padrão de crescimento de sublinear.

Uma lei de escala semelhante regula o crescimento dos indicadores socioeconômicos. Mas o ritmo é diferente. Enquanto os indicadores de infraestrutura tendem a crescer mais lentamente à medida que a população aumenta, os índices socioeconômicos aumentam de maneira acelerada, mais do que dobrando quando a população da cidade dobra. West observou que, nesses casos, indicadores de crescimento econômico como o produto interno bruto e o número de patentes geradas aumentam cerca de 2,22 vezes. Do ponto de vista econômico, portanto, uma cidade de 2 milhões de habitantes é mais eficiente e produtiva do que duas cidades de 1 milhão de habitantes cada uma – padrão de crescimento conhecido como superlinear. Infelizmente, como qualquer habitante de uma metrópole pode adivinhar, indicadores de baixa qualidade de vida, como a taxa de desemprego ou de homicídio, também crescem mais ou menos na mesma proporção.

Mas há exceções. Nem todos os indicadores aumentam de maneira não linear. Alguns deles, tanto de infraestrutura como socioeconômicos, podem crescer na mesma proporção que a população, de modo linear, caso do consumo de eletricidade por domicílio. Também há categorias de indicadores que podem apresentar diferentes ritmos de crescimento. Em um artigo publicado em agosto no Journal of Urban Health, uma equipe liderada pelo físico brasileiro Luis Rocha, do Instituto Karolinska, na Suécia, comparou vários indicadores de saúde pública de cidades no Brasil, nos Estados Unidos e na Suécia. Nos três países, a incidência de doenças infecciosas como a gripe e a Aids aumentou de modo superlinear, talvez porque a aglomeração maior de pessoas nas cidades grandes facilite a transmissão dessas enfermidades. Já as mortes por ataque cardíaco e suicídio cresceram sublinearmente. A explicação para esse resultado ainda é controversa. Os pesquisadores suspeitam que tenha a ver com o fato de as cidades maiores terem rede hospitalar mais bem estruturada e com uma dificuldade maior de se isolar socialmente.

Evolução brasileira
No trabalho da PLoS One, Ribeiro e seus colegas analisaram os dados de 1.605 municípios brasileiros, obtidos nos anos de 1991, 2000 e 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS). Como esperado, os indicadores socioeconômicos de renda familiar, desemprego e homicídios cresceram com a população da cidade de maneira superlinear. Já os índices de trabalho infantil e analfabetismo fugiram à regra, crescendo de maneira sublinear: cidades maiores parecem erradicar esses problemas mais facilmente.

Os pesquisadores observaram outra tendência clara: ao longo do período estudado, os índices medidos nas cidades brasileiras se aproximaram dos valores projetados pelas leis de escala. Em 1991, por exemplo, a cidade de Peixoto de Azevedo, em Mato Grosso, tinha um número de homicídios muito maior do que o esperado para uma cidade de seu tamanho. Ao longo das últimas décadas, porém, o número de homicídios da cidade caiu, se aproximando do esperado pela lei de escala obtida pela equipe de Ribeiro. Já as cidades brasileiras que tinham menos homicídios do que o esperado pela lei de escala sofreram um aumento de casos de homicídio. Ribeiro arrisca uma explicação. "Parece que quando há homicídios em excesso os cidadãos ficam preocupados e cobram políticas para reduzi-los", especula. "Já quando a taxa de homicídios está muito baixa, parece que as pessoas ignoram o problema e esses índices logo voltam a subir." Dos oito indicadores analisados pelo grupo, o único que não segue essa tendência é o analfabetismo, que tende a aumentar nas cidades onde já é alto e diminuir ainda mais onde já é baixo. "Parece um efeito de autoalimentação", Ribeiro sugere. "Quanto mais educadas, mais as pessoas exigem educação."

"Leis de escala permitem realizar previsões, mas esses índices também dependem das políticas adotadas pelos governos, o que não é levado em conta por esse estudo", critica o geógrafo Cosmo Antonio Ignazzi, da Universidade Paris 1, na França, que pesquisa leis de escala nas cidades brasileiras. Ribeiro reconhece o problema e acredita ser muito difícil quantificar o efeito de políticas públicas em um modelo matemático. "Nosso modelo não é determinístico", ressalta Ribeiro. "Entretanto, nosso trabalho e o de outros pesquisadores mostram que o efeito dessas políticas é limitado pelo tamanho da população da cidade."

Ignazzi também questiona a maneira como os físicos definiram as áreas urbanas em sua análise, considerando cada município uma cidade. "A metodologia do estudo é boa, mas eles adotaram a unidade errada. Municípios são unidades político-administrativas. Não é uma boa escolha, pois não leva em conta as grandes conurbações em torno de capitais brasileiras como Manaus, Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro."

"Realmente, a escolha da definição de unidade urbana é crucial, mas não há até agora um procedimento à prova de falhas para definir os limites de uma cidade", responde... ( continua em http://revistapesquisa.fapesp.br/2015/11/17/as-medidas-do-crescimento-urbano/ )



Artigos científicos
ALVES, L. G. A. et al. Scale-adjusted metrics for predicting the evolution of urban indicators and quantifying the performance of cities. PLoS One. 10 set. 2015.
ROCHA, L. E. C.; THORSON, A. E; LAMBIOTTE, R. The non-linear health consequences of living in larger cities. Journal of Urban Health. v. 92 (5), p. 785-99. out. 2015.


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  • CALLONI, H.; LARCEN, C. G. From modern chess to liquid games: an approach based on the cultural studies field to study the modern and the post-modern education on punctual elements. CRIAR EDUCAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação UNESC, v. 3, p. 1-19, 2014.
    http://periodicos.unesc.net/index.php/criaredu/article/view/1437


Doação de órgãos: A arte de dar más notícias

   Segundo estudo, treinamento deficiente de profissionais da saúde ajuda a explicar aumento na recusa das famílias brasileiras

BRUNO DE PIERRO | ED. 237 | NOVEMBRO 2015

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O número de famílias que não autorizam a doação de órgãos e tecidos de parentes com diagnóstico de morte encefálica aumentou significativamente no Brasil. Em sete anos, a taxa de recusa familiar dobrou, saltando de 22% em 2008 para 44% em 2015, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Países como Austrália e Reino Unido enfrentam situação semelhante que, aliada a falhas na identificação e notificação de potenciais doadores, dificulta a realização de transplantes. Um estudo conduzido por pesquisadores da Escola Paulista de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) buscou mapear as razões da recusa familiar. O principal motivo identificado pela pesquisa é que boa parte das famílias (21%) não compreendeu o conceito de morte encefálica. Já 19% atribuíram a decisão a crenças religiosas e outros 19% responsabilizaram a falta de competência técnica da equipe hospitalar.

No total, foram ouvidas 42 famílias que haviam sido consultadas pelo Serviço de Procura de Órgãos e Tecidos da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, ligado ao Hospital São Paulo, em 2010. A conclusão mais importante foi a de que, apesar da falta de conhecimento técnico sobre a morte encefálica, as chances de a família aderir à possibilidade de doação são diretamente proporcionais à capacidade de os profissionais da saúde criarem empatia durante a entrevista na qual a doação é solicitada aos familiares.

Um dado que surpreendeu os pesquisadores é que aproximadamente 43% das famílias consideraram insuficiente o tempo dado a elas para a tomada de decisão. É certo que há pressa em conseguir a autorização, pois órgãos como coração e fígado não podem mais ser aproveitados quando o coração para de bater. A queixa das famílias é que a abordagem foi feita de forma mecânica, até mesmo truculenta, sem respeitar o atordoamento de quem acabou de receber uma notícia trágica. "As pessoas precisam de tempo para assimilar a perda do familiar", diz Bartira De Aguiar Roza, professora da Unifesp e coordenadora do estudo. Segundo ela, a dificuldade reside no fato de muitos médicos e enfermeiros não estarem preparados para comunicar más notícias de maneira respeitosa e esclarecedora. O estudo também indicou que, entre 1998 e 2012, cerca de 21 mil famílias se recusaram a doar órgãos. Se 80% delas tivessem aceitado a doação, supondo a possibilidade de extrair pelo menos quatro órgãos de cada doador, mais de 67 mil pacientes teriam sido transplantados nesse período.

Bartira reconhece que a crença religiosa interfere. Em um dos casos de recusa, uma mulher contou que não doaria os órgãos da mãe porque acreditava na ressurreição. "A interpretação pessoal de textos religiosos pode levar a uma postura desfavorável à doação, ainda que nenhuma religião se oponha a ela", afirma Bartira. Mesmo nesses casos, a pesquisadora acredita que a culpa não deve ser totalmente atribuída à família, pois o desempenho do profissional da saúde que propõe a doação também pode ser decisivo. Tanto isso é verdade que, quando questionado se mudaria de opinião, 70% do total de famílias respondeu que hoje optaria pela doação.

Para outro autor do estudo, João Luis Erbs Pessoa, diretor técnico da Central de Transplantes da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, uma das principais funções do profissional que lida com doações de órgãos deve ser esclarecer todas as dúvidas dos familiares. "Quem tem a obrigação de entender de morte encefálica são os médicos e enfermeiros, não a família", diz Pessoa.

NOVO 034-037_Doação de órgãos_237-02O grau de instrução escolar dos familiares que participaram da pesquisa foi diversificado: 29% deles concluíram o ensino fundamental, 33% o ensino médio, 36% se graduaram e 2% tinham doutorado. A maior parte das famílias (48%) tinha renda de um a três salários mínimos e 64% declararam-se católicos. "A pesquisa indica que o que está em jogo não é saber se a população conhece o conceito de morte encefálica, mas sim se é bem tratada pelos profissionais da saúde. Muitas vezes subestimamos os familiares, mas eles sabem quando os procedimentos da entrevista são equivocados", explica Pessoa.

O estudo sugere investir mais no treinamento das pessoas que trabalham na captação de órgãos. Em Santa Catarina, estado com uma das menores taxas de recusa familiar (ver gráfico), os coordenadores de transplantes que atuam em hospitais da rede pública de saúde passam por curso de comunicação em situações críticas, oferecido pela Secretaria Estadual de Saúde. "Os profissionais aprendem a dialogar com sensibilidade com os familiares e a se colocarem à disposição para esclarecer dúvidas", diz Joel de Andrade, coordenador estadual de transplantes de Santa Catarina.

Experiências desse tipo também têm sido colocadas em prática na Unifesp, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP) e no Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista. "O diagnóstico de morte encefálica é angustiante e desperta muitas dúvidas. É uma morte que não parece morte, pois o coração continua batendo. Isso faz com que a família ainda tenha esperanças de recuperação", explica Juliana Gibello, professora do curso de Comunicação de Más Notícias do Albert Einstein, criado no início do ano. Com carga horária de 30 horas e on-line, o curso é direcionado a médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros profissionais. Os módulos abrangem desde conceitos fundamentais da comunicação interpessoal até os processos que envolvem morte e luto. Ao longo de todo o curso, os alunos discutem casos clínicos. "Esse tipo de treinamento e discussão deveria ser feito desde a graduação nos diversos cursos da área da saúde", sugere Juliana.

As iniciativas brasileiras buscam inspiração no modelo espanhol de doação de órgãos, que se tornou referência internacional. A taxa de recusa familiar na Espanha é hoje uma das menores do mundo, de 17%. Parte desse sucesso se deve à forma como profissionais da saúde lidam com as famílias. "Respeito e empatia são o cerne da questão", disse à Pesquisa FAPESP Carmen Segovia Gomez, uma das fundadoras da Organização Nacional de Transplantes (ONT), criada em 1989, vinculada ao governo espanhol. Além da coordenação nacional de captação de órgãos para transplantes, outra tarefa da ONT é organizar cursos de comunicação de más notícias. A entidade foi a primeira no mundo a criar esse tipo de treinamento para profissionais da saúde.

"Essa formação específica permite que o profissional desenvolva habilidades de comunicação para fazer com que um familiar em crise de luto sinta-se livre e confiante para tomar sua decisão", conta Carmen, que atualmente dirige o curso da ONT. Em uma das etapas do curso, os alunos interagem com atores, que fazem o papel de familiares recebendo a notícia da morte encefálica. Na simulação, os alunos são instruídos a fazer uma abordagem sensível, perguntando primeiro como era a vida do familiar, do que ele gostava, para só então abrir a possibilidade de autorizar a doação. Na província espanhola de Alicante, esse tipo de abordagem chegou a zerar a recusa nos anos 1990. Nos últimos anos, Carmen também colaborou como consultora em alguns filmes do cineasta Pedro Almodóvar, como Tudo sobre minha mãe (1998), no qual a personagem de uma enfermeira que atua na coordenação de transplantes em um hospital foi inspirada no trabalho da fundadora da ONT.

© VENILTON KULCHER

Chegada de órgãos para realização de transplante em hospital no Paraná

Chegada de órgãos para realização de transplante em hospital no Paraná

Embora a prioridade na Espanha seja promover boas práticas de comunicação entre profissionais da saúde, o país também investe em campanhas de esclarecimento. Marcelo José dos Santos, pesquisador da Escola de Enfermagem da USP, participou como aluno do curso oferecido pela ONT, durante uma viagem à Espanha em 2001. Segundo ele, lá a doação de órgãos é um tema apresentado a crianças e adolescentes desde o ensino básico, por meio de programas educativos. "No Brasil, ainda temos muito trabalho a fazer nesse sentido. Não basta investir só em treinamento dos profissionais da saúde", adverte. "Aqui, a população ainda confunde muito morte encefálica com coma, por exemplo", diz Santos, que atualmente realiza um estágio de pós-doutorado sobre o assunto, cujos resultados parciais mostram que a recusa familiar é maior ainda em relação à autorização de doação de tecidos ósseos, pele e córnea. Uma das pistas para explicar a rejeição seria o fato de as famílias desconhecerem a possibilidade desse tipo de doação ou terem aversão à ideia de que o corpo seja mutilado.

Também os Estados Unidos e o Reino Unido passaram a investir em campanhas. No primeiro caso, os esforços têm contribuído para aumentar o número de doadores. Atualmente, mais de 100 milhões de norte-americanos, pouco mais de um terço da população, declaram-se doadores de órgãos. Apesar disso, o governo segue preocupado com a recusa familiar, que no momento está em torno de 22% no país.

Uma pesquisa feita pela Rede de Transplantes e Procura de Órgãos norte-americana (OPTN) mostrou que os motivos que levam famílias a não doar órgãos de parentes são os mesmos encontrados em outros países. Uma das estratégias adotadas pelo governo foi esclarecer a população por meio do site Organ Donor, pelas redes sociais e campanhas em rádio e TV. Pesquisadores também são convidados a participar para divulgar informações sobre procedimentos relacionados à doação.

O Reino Unido apresenta atualmente uma taxa de recusa familiar de 42%, uma das mais altas do continente europeu. No ano passado, o número de doações caiu pela primeira vez em 11 anos. Segundo um levantamento do National Health Service (NHS), o sistema público de saúde inglês, 16,9 milhões de pessoas – cerca de um terço dos adultos no Reino Unido – admitem que nunca consideraram a possibilidade de se tornarem doadoras de órgãos. Outros 4 milhões declararam ser doadores, mas nunca avisaram um familiar. Para tentar reverter isso, o governo britânico criou um site com esclarecimentos sobre o processo de doação de órgãos.

Segundo Bartira Roza, uma das hipóteses que explicam o aumento da recusa familiar em alguns países da Europa é a repercussão negativa de um episódio ocorrido na Alemanha em 2013. Na ocasião, descobriu-se que o responsável pelo setor de transplantes do Hospital Universitário de Göttingen, manipulou a fila de transplantes, alterando dados médicos de pacientes que esperavam por um órgão. Após o escândalo ser revelado, o número de órgãos doados caiu 20% no país.

Bartira lembra que o Brasil já passou por situação parecida, quando uma mudança na legislação resultou na queda drástica do número de doações. Em 1997, foi instituída a doação presumida, pela qual todo cidadão passou a ser considerado doador de órgãos, a menos que optasse por registrar o desejo contrário no documento de identidade. O efeito foi o oposto do desejado. No Nordeste, a maioria dos indivíduos declarou-se não doadora na hora de tirar ou renovar a identidade. "As pessoas tinham medo de entrar nos hospitais e morrerem por conta do descaso", conta Bartira. Em 1998, uma medida provisória instituiu a autorização familiar nos casos de ausência de manifestação nas carteiras nacionais de habilitação ou nos registros de identidade. Somente em 2001 a doação consentida pela família foi incorporada na legislação. Para a pesquisadora, qualquer mudança na lei pode determinar o sucesso ou o fracasso das... ( continua em http://revistapesquisa.fapesp.br/2015/11/17/doacao-de-orgaos-a-arte-de-dar-mas-noticias/ )

Projeto:

Avaliação das causas de recusa familiar para a doação de órgãos e tecidos (nº 2012/05348-2); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisadora responsável Bartira De Aguiar Roza (Unifesp); Investimento R$ 10.382,80.


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O DNA da inovação nas metrópoles

Pesquisador mapeia como grandes universidades influenciam a economia e o ambiente das regiões urbanas onde estão instaladas

FABRÍCIO MARQUES | ED. 237 | NOVEMBRO 2015


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A Região Metropolitana de São Paulo, atrás apenas das megalópoles de Xangai e Pequim, na China, e de Seul, na Coreia do Sul, aparece em 4º lugar numa lista de aglomerados urbanos em que o conhecimento gerado pelas universidades cresceu de forma acentuada nos últimos anos, multiplicando interações com empresas e organizações da sociedade e modificando a economia e o ambiente das cidades. O ranking foi apresentado em junho por Méric Gertler, professor do Departamento de Geografia e Planejamento e atual reitor da Universidade de Toronto, no Canadá, em um fórum bianual que reúne líderes de universidades de pesquisa, o Glion Colloquium, na Suíça. O diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, que participou do encontro, comentou: "Foi uma agradável surpresa assistir à palestra de Méric Gertler, que aconteceu no dia seguinte à minha, e ver o destaque dado a São Paulo como cluster de produção científica".

Referência internacional em estudos sobre geografia da inovação, Gertler compilou dados sobre a produção científica em aglomerados regionais, extraídos da base Web of Science, da empresa Thomson Reuters, e analisou redes de colaboração vinculadas a essa produção. Em seguida, comparou o desempenho de cada região entre 1996 e 2013. Nesse ranking, que mostra a evolução da produção científica nas últimas duas décadas, São Paulo, com um aumento de mais de 400%, e as metrópoles asiáticas (Xangai teve crescimento de 1000%) apareceram nos primeiros lugares, à frente de regiões como Munique, na Alemanha, Boston, nos Estados Unidos, e Londres, na Inglaterra. Gertler também apresentou um ranking de regiões baseado no volume de publicações científicas entre 2011 e 2013. Nessa lista, São Paulo aparece na 32ª posição, com cerca de 40 mil publicações, atrás de regiões consolidadas como São Francisco, Tóquio e Berlim, mas à frente de grandes regiões como Munique e Manchester-Liverpool.

Os dados sugerem que universidades de pesquisa imprimem um dinamismo para as regiões que as abrigam, dando impulso à economia, à inovação e à criatividade. Entre as 50 universidades mais bem colocadas no ranking da Times Higher Education, mostrou o reitor, apenas sete estão em aglomerados com menos de 1 milhão de habitantes – nas outras 43, a existência de uma universidade de classe mundial atrela-se a alguma grande região metropolitana, cujas empresas e instituições se beneficiam do conhecimento e dos recursos humanos gerados pela academia ao mesmo tempo que propõem demandas que desafiam o ambiente acadêmico. O aglomerado urbano de São Paulo é definido, na análise de Gertler, como a megalópole de mais de 30 milhões de habitantes formada pela capital paulista, Campinas e São José dos Campos, onde há universidades como a de São Paulo (USP), a Estadual de Campinas (Unicamp), as federais do ABC (UFABC) e de São Paulo (Unifesp) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), além de três institutos da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Apenas a USP, que tem seu principal campus na capital paulista, é responsável por 22% da produção científica brasileira, segundo dados da Web of Science. "Esse polo brasileiro tem uma história notável. Há apenas 25 anos, era pouco conhecido e altamente especializado. Hoje, é uma força global", disse Méric Gertler à Pesquisa FAPESP. "De acordo com dados bibliométricos da Thomson Reuters, em 1990, a USP colaborava com 350 instituições em 28 países. Em 2014, já eram mais de 6,5 mil instituições em 145 países. Isso é extraordinário."

Segundo ele, a parceria com universidades é crucial para a reinvenção econômica das cidades. Ele cita como exemplo a trajetória de Pittsburgh, na Pensilvânia, que conseguiu fazer a transição de principal polo siderúrgico norte-americano para uma região próspera e diversificada, referência em atividades como educação, tecnologia, saúde e serviços financeiros. "Pittsburgh se beneficiou tremendamente do impacto da Universidade Carnegie Mellon, da Universidade de Pittsburgh e de outras 35 universidades e faculdades. Da mesma forma, regiões metropolitanas como Boston, São Francisco, Raleigh e Austin se beneficiaram da influência do MIT, das universidades Harvard, Stanford, da Califórnia [em São Francisco], da Carolina do Norte-Chapel Hill, Duke, do Texas [em Austin], e outras escolas menores e menos famosas", afirmou Gertler. "Isso também vale para o Canadá, em locais como Toronto e Vancouver, e outros, ao redor do mundo. Pense em Singapura ou na região de São Paulo, incluindo São José dos Campos e Campinas, por exemplo."

Muitos países, reconhecendo o valor da participação em redes globais de conhecimento, selecionam algumas de suas universidades líderes em pesquisa para concentrar investimentos, o que ajuda a atrair e reter estudantes e pesquisadores talentosos. "Isso resulta em enormes crescimentos de publicações, citações e colaborações – e é uma boa notícia para todos", disse Gertler.

O levantamento adota uma metodologia utilizada por outros grupos de pesquisa, segundo a qual indicadores bibliométricos também funcionam para apontar, mesmo que de maneira indireta, o vigor de atividades econômicas e da sociedade civil que naturalmente se conectam com as universidades. "A pesquisa científica é, por definição, uma atividade criativa e inovadora – e ela própria é um motor do desenvolvimento urbano", escreveram Christian Wichmann Matthiessen, pesquisador da Universidade de Copenhague, Annette Winkel Schwarz e Soren Find, da Universidade Técnica da Dinamarca, num artigo sobre cidades globais publicado em 2009 que utilizou a mesma metodologia usada por Gertler. "O gestor de um fundo de capital de risco foi direto ao ponto ao dizer: o dinheiro flui para onde as ideias fluem", afirmou Gertler que, adverte, porém, para as conhecidas limitações do uso de indicadores bibliométricos, que em geral falam muito sobre quantidade, mas não necessariamente sobre qualidade.

Méric Gertler dedicou boa parte de sua carreira acadêmica a estudar as economias das regiões urbanas e o papel que grandes instituições, como universidades, desempenham no seu desenvolvimento. Segundo ele, há vários meios pelos quais universidades de pesquisa intensiva impulsionam regionalmente a inovação, a prosperidade e a reinvenção da economia. Em primeiro lugar, diz, universidades são fontes de dinamismo e resiliência para as economias das regiões urbanas. Elas gerenciam orçamentos vultosos e propiciam pesquisas em parceria com indústrias, instituições e organizações sem fins lucrativos. "Esse tipo de pesquisa baseado em parcerias muitas vezes leva a novos achados em ciência fundamental e aplicada. Quando parceiros locais trabalham com uma universidade, professores e alunos são tanto os provedores de novas ideias como seus beneficiários. Além disso, grande parte da pesquisa realizada dentro de nossas instituições encontra o seu caminho no mercado através de canais como acordos de licenciamento de tecnologia, patentes e startups."

© UNIVERSIDADE DE TORONTO

O reitor da Universidade de Toronto, Méric Gertler: referência internacional em estudos de geografia da inovação

O reitor da Universidade de Toronto, Méric Gertler: referência internacional em estudos de geografia da inovação

Formar capital humano, observa Gertler, representa a principal contribuição das universidades para suas regiões e países. "Educar os estudantes é, de longe, a mais importante forma de transferência de tecnologia das universidades. Eles são uma injeção poderosa de criatividade, compromisso e energia em sua comunidade", diz o reitor. E isso funciona para todas as áreas do conhecimento. "Muitas vezes ouvimos que nossos países precisam de mais graduados em ciências, tecnologia, engenharia e matemática. Estes campos, é claro, são cruciais. Mas deve-se dizer que os graduados em ciências humanas e ciências sociais geram dinamismo e resiliência na mesma medida. As ciências humanas e sociais nos permitem pensar de forma ampla e profunda sobre nossos problemas e os valores que nos orientam a criar soluções." Na era digital, segundo ele, é preciso ser capaz de analisar as informações de forma crítica e criativa, de ordenar os pontos-chaves para formar argumentos persuasivos, de ouvir e aprender com outras perspectivas.

Universidades de pesquisa também funcionam como portas de entrada que conectam suas regiões com o mundo e vice-versa. "Colaborações entre pesquisadores e publicações em coautoria estão se acentuando ao longo do tempo e cada vez mais têm caráter internacional. Não são distribuídas aleatoriamente. Com mais frequência, as parcerias internacionais são celebradas entre instituições de elite, localizadas em outras grandes regiões urbanas. Nas palavras de um recente editorial na revista Nature, a excelência busca a excelência, por isso universidades nacionais de elite também lideram colaborações internacionais", afirma o reitor. Isso é importante, observa Gertler, porque a prosperidade presente e futura das universidades dependem de sua capacidade de ter acesso e de usar não apenas o conhecimento produzido localmente mas também aquele produzido em outros centros principais de pesquisa e inovação em todo o mundo.

As universidades, por fim, exercem uma influência estabilizadora em sua vizinhança. "Tomando emprestado um conceito do varejo, nossas instituições são como 'lojas-âncora' nas comunidades. O tamanho das nossas instituições gera um impacto econômico substancial em toda a região – na criação de empregos, na receita fiscal e no empreendedorismo", diz Gertler, que também aponta o impacto local positivo das atividades de extensão exercidas por seu corpo docente, funcionários e alunos em comunidades vizinhas e bairros. Um exemplo: estudantes de odontologia da Universidade de Toronto atenderam 78 mil pacientes no ano passado, como parte da atividade de extensão.

Universidades também contribuem para a reconstrução da infraestrutura física das cidades e, com frequência, desempenham papel de liderança na regeneração do tecido urbano. "Não é à toa que tantos municípios recorrem a instituições de ensino superior para dar vitalidade a seus centros urbanos envelhecidos."

A cidade de São Paulo foi formada pela convergência de movimentos econômicos favoráveis, como o do café e a industrialização, a diversidade cultural promovida por processos migratórios e o desenvolvimento científico fomentado por grandes universidades, observa Leandro Medrano, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. "Sua liderança regional está ligada a essa singular situação que transformou uma vila na maior megacidade da América Latina em menos de um século. Tal diversidade e pujança econômica impulsionaram ciclos contínuos de inovação em diversos setores, como a ciência, a cultura e as artes", afirma. Na avaliação de Medrano, a maior ameaça a essa estrutura é a violência urbana e o desejo de confinamento de parte da sociedade. "A proliferação de condomínios fechados, verticais e horizontais, e centros comerciais poderia fracionar a cidade em microssistemas murados. E com isso prejudicar suas potencialidades como centro de inovação. Felizmente essa tendência dos anos 1980 e 1990 parece estar tomando outros rumos. São Paulo pode estar iniciando um novo ciclo de avanço em relação às suas virtualidades urbanas", diz.

Renato de Castro Garcia, professor do Instituto de Economia da Unicamp, lembra que a região de São Paulo sofreu um processo de fuga de indústrias para regiões com custos menores e facilidades logísticas. "Mas as soluções tecnológicas das empresas têm mais dificuldade de se descentralizar, porque a proximidade física e geográfica com a geração do conhecimento tem um peso importante", afirma. Garcia orientou uma dissertação de mestrado, defendida na USP pela economista Ariana Ribeiro Costa, que analisou a dinâmica das empresas de tecnologia de informação da Região Metropolitana de São Paulo. "As empresas que se concentram na cidade e em regiões próximas a ela são intensivas em conhecimento", diz Ariana. Ela concluiu que essas empresas seguem se concentrando nas vizinhanças da capital paulista porque, a despeito dos custos, identificam na cidade elos para sua consolidação e oportunidades de troca de conhecimento. "O contato face a face e a diversificação produtiva exercem um papel fundamental nessa concentração e nas trocas de conhecimento geradas nesses ambientes", afirma Ariana, que utiliza o conceito de conhecimento tácito, bastante explorado por Méric Gertler em seus estudos sobre aglomerados econômicos. O conhecimento tácito, que se opõe ao conhecimento codificado em livros, é aquele que não é facilmente transferível e depende de contato pessoal, interação regular e confiança para ser repassado.

O trabalho de Ariana ajuda a explicar por que a capital paulista foi a única metrópole da América Latina listada na última edição do relatório Global Startup Ecosystem Ranking 2015, que avalia o ambiente para o desenvolvimento de empresas nascentes de tecnologia, as startups. São Paulo ocupa a 12ª colocação, superada, por exemplo, pelo Vale do Silício (Califórnia), Nova York, Los Angeles e Boston, nos Estados Unidos. No caso de São Paulo, o estudo aponta como pontos fortes o fato de ser a capital econômica da América Latina, além do financiamento às empresas nascentes de tecnologia em atividade, cujo número estimado chega a 2,7 mil. Os investimentos de fundos de capital de risco em startups tecnológicas de São Paulo em 2014 foram maiores que os feitos em empresas de Seattle, nos Estados Unidos. "São Paulo possui mais talentos do que qualquer ecossistema de startups da América do Sul", destacam os autores do estudo.

A pujança de aglomerados de inovação desafia a ideia de que, por meio da globalização, o mundo se tornou plano, proposta num livro do jornalista norte-americano Thomas Friedman, observa Veneziano de Castro Araújo, professor de economia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

"É certo que a globalização levou a uma convergência que permitiu a países como Índia e China ingressarem na cadeia global de fornecimento de serviços e produtos, mas continuam a existir pontos em que a competência se aglomera mesmo dentro desses países", afirma Araújo, que em 2013 defendeu tese de doutorado na USP, também orientada por Renato Garcia, abordando os efeitos da proximidade na dimensão local da inovação no Brasil.

Ele cita o exemplo da criação da Unicamp. "A universidade começou a formar engenheiros bastante qualificados e seu entorno a atrair empresas, que ampliaram a demanda por esses profissionais. A necessidade das empresas também exigiu que os engenheiros aprendessem tecnologias que não estavam disponíveis e incentivou colaborações com a universidade. E outras empresas que desejavam vir para o Brasil escolheram Campinas para se instalar, interessadas na boa interação entre a universidade e as indústrias", explica. "A Embraer é outro exemplo e surgiu a partir da mão de obra formada pelo ITA, mas hoje absorve engenheiros formados na USP e na Unicamp. Isso é possível graças à proximidade, à especialização e ao conhecimento tecnológico da região", afirma. Esses fatores não impedem, diz Araújo, que se intensifiquem interações entre pesquisadores e empresas de regiões distantes, mas elas não fluem com a mesma velocidade que as colaborações dentro dessas... ( continua em http://revistapesquisa.fapesp.br/2015/11/17/o-dna-da-inovacao-nas-metropoles/ )
  • DOWNLOAD PARCIAL. LARCEN, César Gonçalves. Mais uma lacônica viagem no tempo e no espaço: explorando o ciberespaço e liquefazendo fronteiras entre o moderno e o pós-moderno atravessando o campo dos Estudos Culturais. Porto Alegre: César Gonçalves Larcen Editor, 2011. 144 p. il.
  • DOWNLOAD GRATUÍTO. FREE DOWNLOAD. AGUIAR, Vitor Hugo Berenhauser de. As regras do Truco Cego. Porto Alegre: César Gonçalves Larcen Editor, 2012. 58 p. il.
  • DOWNLOAD GRATUÍTO. FREE DOWNLOAD. LINCK, Ricardo Ramos. LORENZI, Fabiana. Clusterização: utilizando Inteligência Artificial para agrupar pessoas. Porto Alegre: César Gonçalves Larcen Editor, 2013. 120p. il.
  • DOWNLOAD GRATUÍTO. FREE DOWNLOAD. LARCEN, César Gonçalves. Pedagogias Culturais: dos estudos de mídia tradicionais ao estudo do ciberespaço em investigações no âmbito dos Estudos Culturais e da Educação. Porto Alegre: César Gonçalves Larcen Editor, 2013. 120 p.
  • CALLONI, H.; LARCEN, C. G. From modern chess to liquid games: an approach based on the cultural studies field to study the modern and the post-modern education on punctual elements. CRIAR EDUCAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação UNESC, v. 3, p. 1-19, 2014.
    http://periodicos.unesc.net/index.php/criaredu/article/view/1437


Nove de dez sites liberam dados de usuários para terceiros

Autor: Editorial
Fonte: IT Forum 365 Publicado em 06 de Novembro de 2015 às 10h47

Segundo pesquisador, informações são passadas para frente muitas vezes sem qualquer conhecimento dos envolvidos


Tim Libert, um pesquisador de privacidade da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, publicou nova pesquisa para qualificar quantos sites liberam informações de seus usuários para terceiros e o resultado foi surpreendente. Embora a prática não seja nova, os dados mostram que o compartilhamento de informações tem sido prática recorrente. Segundo o levantamento de Libert, nove em cada dez sites vazam dados de usuários para terceiros, geralmente, sem qualquer conhecimento dos envolvidos.

Para realizar a pesquisa, Libert usou um software de código aberto criado por ele, chamado webXray, que ele usou anteriormente para analisar trackers em sites de saúde e pornografia. Ele não só descobrir que a maioria dos sites vaza dados de seus usuários, mas também compartilha essas informações (às vezes inconscientemente) por toda a web. "Sites que vazam dados do usuário estão ligados a uma média de nove domínios externos, indicando que os usuários podem ser rastreados por várias entidades", escreveu Libert na pesquisa.

Segundo ele, se você visitar qualquer um dos melhores sites, há chance de 90% deles ocultarem informações sobre sua navegação, apontou. O mais preocupante, de acordo com ele, é que se você configurar seu navegador na função 'Do Not Track', a política explicitamente declarada de quase todas as empresas é ignorá-lo. "O pior criminoso é o Google, que rastreia pessoas em quase 80% dos sites, e não respeita o Do Not Track", disse.

Quer evitar ser rastreado? Infelizmente você não tem muitas opções. Extensões do browser e VPNs ajudam, mas a única maneira de obter proteção legítima de rastreamento e exposição de dados é usar um serviço como o Tor e simplesmente aceitar a lentidão e os problemas de usabilidade que vêm junto com... ( continua em http://itforum365.com.br/noticias/detalhe/117557/nove-de-dez-sites-liberam-dados-de-usuarios-para-terceiros )
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    http://periodicos.unesc.net/index.php/criaredu/article/view/1437


Novas profissões movimentam o mercado de trabalho no Brasil

Social media, jogador de poker e de eSports são a nova realidade dos jovens brasileiros.
 
O mercado de trabalho está mudando e com isso muitas profissões estão deixando de existir e funções tradicionais estão dando espaço a novas realidades. Profissões inusitadas ligadas à tecnologia, ao entretenimento e ao esporte já caíram no gosto dos mais jovens. Mas, você sabe o que faz um social media? Quanto ganha um jogador profissional de poker? E qual a rotina de um jogador de eSports? Chegou a hora de conhecer uma outra realidade...
 
O social media é o profissional responsável pela atualização de páginas oficiais de empresas nas principais redes sociais. Seu trabalho garante que o público consumidor esteja sempre recebendo novos conteúdos por meio destes perfis. Além disso, o social media cuida também da produção de conteúdo visual como a produção de vídeos para o YouTube, bem como para outras plataformas. Uma das principais características da profissão é a versatilidade, por isso, o profissional tem como principal característica a juventude. Os profissionais atuantes no Brasil estão na casa dos 20 anos. No que diz respeito à remuneração, o salário gira em torno dos R$ 3 mil. 
 
Levar a vida jogando games profissionalmente, como os eSports, está se tornando realidade no Brasil. Desde 2013, o País vem registrando um salto no número de participantes de esportes eletrônicos. Alguns campeonatos nacionais podem distribuir até R$ 68 mil em premiação. Desde então, jovens de todo o País têm mudado de cidade e até trancado a faculdade para viver em centros de treinamento, jogar até 14 horas por dia e ganhar R$ 3 mil por mês. A rotina desses jogadores profissionais é de dar inveja. O horário máximo para levantar costuma girar em torno das 11h e a ida para a cama sempre é depois da meia noite. Após a primeira refeição do dia, o expediente é de até 14 horas na frente do computador assistindo partidas e estudando adversários.
 
Já para ser jogador profissional de poker é necessário possuir raciocínio lógico. A maioria dos jogadores é do sexo masculino, com idade entre 18 e 26 anos e formação na área de exatas. Essa profissão pode render em média R$ 1,5 mil ao dia para os jogadores que se dedicam exclusivamente ao esporte. Além disso, desde 2012 o poker é considerado pelo Ministério dos Esportes um esporte mental, que exige inteligência, capacidade e habilidades intelectuais e comportamentais. Desde então, o esporte vem crescendo no Brasil e já conta com 2 milhões de jogadores online, número 2.000% maior do que em 2006.
 
Para Leonardo Baptista, CEO e fundador do Betmotion – maior site de apostas e jogos online da América Latina - para conquistar o sucesso profissional e a independência financeira não existe receita mágica. "A disciplina é a melhor estratégia. A principal dica é ter controle do volume de dinheiro investido. O jogador precisa controlar ganhos e perdas durante o jogo. Além da disso, também é necessário ter controle de horários para estudar, jogar, praticar outro esporte, ter uma vida social e descanso. Existem altos e baixos para quem pratica o jogo, como em todos os mercados profissionais, por isso é necessário ter uma mente saudável para suportar as pressões e ter o sucesso alcançado", finaliza o executivo. 
 
Sobre o Betmotion 
Mais de 15 anos de experiência, confiabilidade e variedade. Esse mix transformou o site Betmotion.com em uma excelente opção quando se fala em entretenimento e apostas online. O site tem crescido na preferência dos apostadores brasileiros graças as suas múltiplas possibilidades de apostas ao vivo em jogadores de futebol, MMA e muitas ... ( continua em http://www.segs.com.br/seguros/70476-novas-profissoes-movimentam-o-mercado-de-trabalho-no-brasil.html )
  • DOWNLOAD PARCIAL. LARCEN, César Gonçalves. Mais uma lacônica viagem no tempo e no espaço: explorando o ciberespaço e liquefazendo fronteiras entre o moderno e o pós-moderno atravessando o campo dos Estudos Culturais. Porto Alegre: César Gonçalves Larcen Editor, 2011. 144 p. il.
  • DOWNLOAD GRATUÍTO. FREE DOWNLOAD. AGUIAR, Vitor Hugo Berenhauser de. As regras do Truco Cego. Porto Alegre: César Gonçalves Larcen Editor, 2012. 58 p. il.
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  • DOWNLOAD GRATUÍTO. FREE DOWNLOAD. LARCEN, César Gonçalves. Pedagogias Culturais: dos estudos de mídia tradicionais ao estudo do ciberespaço em investigações no âmbito dos Estudos Culturais e da Educação. Porto Alegre: César Gonçalves Larcen Editor, 2013. 120 p.
  • CALLONI, H.; LARCEN, C. G. From modern chess to liquid games: an approach based on the cultural studies field to study the modern and the post-modern education on punctual elements. CRIAR EDUCAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação UNESC, v. 3, p. 1-19, 2014.
    http://periodicos.unesc.net/index.php/criaredu/article/view/1437


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Portugueses vão render-se às compras através do smartphone. Mas por agora ainda preferem as lojas

01-12-2015 08:40

Um estudo da consultora Deloitte revela que os portugueses preferem a Internet para procurar ideias, comparar marcas e preços para os presentes de Natal. Em Portugal as redes sociais já representam um canal importante na hora de escolher o produto a comprar.


Os portugueses são os europeus que mais vão usar o smartphone no futuro para fazer compras: 61% dizem esperar usar o dispositivo móvel para concretizar uma aquisição. Um valor bem acima da média europeia que é de 47%, de acordo com dados apurados pela Deloitte.

Apesar deste espírito 'futurista', a verdade é que atualmente os portugueses ainda fazem a maior parte das suas compras de Natal em lojas físicas. Usam a Internet para pesquisar e comprar preços, mas os negócios depois são concretizados em 'pessoa'.

Ainda assim há registo de alguma abertura em determinadas categorias: por exemplo, em 2014 apenas 3% dos inquiridos admitia comprar produtos alimentares e bebidas através da Internet, número que sobe para 12% este ano

Mas o relatório da Deloitte tem um indicador de destaque: os portugueses são dos que mais usam as redes sociais para connhecer melhor os produtos que vão comprar: um valor 30% superior aos congéneres europeus, sendo que os produtos de tecnologia são os que mais ligação têm aos social media.

"A estratégia de compra omnicanal é uma realidade generalizada no processo de compra dos portugueses e os retalhistas estão conscientes deste cenário, daí o atual movimento em que os retalhistas procuram integrar a sua proposta de valor também com uma forte presença nas novas plataformas e canais digitais. É neste contexto que o mobile e as redes sociais ganham força", destaca em comunicado o elemento da Deloitte, Nuno Netto.

O estudo em Portugal envolveu 761 pessoas dos 18 aos 65 anos. O inquérito foi feito num total de... ( continua em http://tek.sapo.pt/noticias/internet/artigo/portugueses_vao_render_se_as_compras_atraves_do_smartphone_mas_por_agora_ainda_p-45260oun.html )
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    http://periodicos.unesc.net/index.php/criaredu/article/view/1437